longe da vida
e aqui
vivendo sem ela
olhá-la
simples, solúvel, fácil
como se fosse doutrem...
O sol deixa tudo mais claro.
casa na praia
Me sinto puro
TRIDESTILADO
vodka transparente como água
Paz, para mim, é apenas descanso estratégico
e aguardar o próximo trem de ferro
para saltar novamente sempre
no meio
do seio
do coração
da guerra.
!completamente confuso
a barraca fervendo calores
mil pernilongos a sangue-sugar-me
Roubaram-me a cidade
meu acolhedor caosmetropolitano -
incelulável,
deseletrônico,
desconectado...
se sinto-me umcomAnatureza,
também sinto-me inabitando o mundo!
Eu vivo de beber o sangue da cidade
quando é tinto
ou avinagrado
Dai-me por favor
o asfalto indiferente
das ruas de asfalto
escrevo-lhe esse telegrama-poema que não enviarei
(peço um perdão estético, não sei imitar a forma dos telegramas PT
Estou no litoral paulista e você
muito mais ousado
num SMS me provoca
“Estou no MAM da Bahia”
PQP, seu grande safado!
Mas não deixo por menos
Numa lenta rede de sombra fresca leio David McReynolds
enquanto faço desenho com os círculos de água que a lata de cerveja deixa no chão
(caderno de poemas ao lado, nunca se sabe)
Ansioso pelos nossos encontros anarco-psicoanaliticos
Tenho histórias incríveis e idéias efervescentes
O mundo mais uma vez é nosso!
Espero que esse telegrama-míssil-poema-impossível lhe alcance em cheio
neste exato momento
e gravado no papel pele
brade na totalidade do tempo:
O mundo mais uma vez é nosso!
Ele está lá parado
e eu jamais saberei o que se passa naquela cabeça ínfima
que observo aqui do chão
Parece que ele está lá, curtindo
apenas curtindo a vida
mesmo nesse tórrido sol
Como os crentes de terno preto nas manhãs de domingo
Amigos em vôos circulares se aproximam e dizem:
--Vamos lá, garoto, vamos procurar deliciosas carniças!
Mas ele permanece lá, coça embaixo da asa, olha pra baixo, volta a cabeça e diz:
--Nááá...
Ele não quer esbanjar, não quer acumular
está plenamente satisfeito em sua torre artificial
Um grande saca, me olhando lá de cima
e me provoca:
“Estou curtindo cada pedaço pequeno e normal da vida
com meu primitivismo institivo,
e você pequeno humano?”
Eu aceno positivo aqui debaixo:
“Estou logo atrás amigo,
logo atrás...”
grandioso, ferrenho, infinito
Minha humanidade balanceia
tão pequeno
Quase caio numa fraqueza teísta
(um segundo rápido)
Maior sou eu que diminuo o mar em uma palavra
e coloco nessa página
Salto no mar e o abraço por dentro numa ânsia panteista
Meu pai, meu irmão, meu eu?
Jamais!
Um descuido e ele me mata
sem derramar uma lágrima salgada
Qual é o segredo do mar?
Como Odisseu grito enraivecido
O mar calado marulha
Não há segredo, o mar é o mar
A prova da não-existência de Deus?
Calem a loucura da boca dos profetas
e ouçam a santidade do silêncio
ele diz: não há segredo... não há segredo...
os sonhos me rasgam
a pele
o couro
a cara
o vento
o mar
o sol salgado
corruptos, camarões, peixes-espadas passam
levando a crucialidade da vida
Eu sem meus problemas
sobra alga para os peixes?
areias, mil e uma noites
camelos endoidecidos debandam em seu corpo nu
(Esse é meu último poema pra ti,
minha beleza árabe)
Pele tostada, lábios finos...
Macias almofadas de descanso...
tâmaras, damasco, teu beijo
Uma lâmpada, um gênio
(ao fundo a música da serpente)
Três desejos meu amo
1- você...
2- você...
3- mais 3 desejos...
4- sua boca
5- sua orelha
6- mais 4 desejos
7- sua saliva
8- sua buceta
9- seu cu
10- mais 3 desejos
11- sua alma para mim
12- minha alma de volta
13- nunca mais te ver