Guerras Contidas!!

Perto do coração do mar

Cristian dos Santos
Poemas

09 poemas (concluído)
29 - 08 de janeiro de 2008

Esses poemas eu escrevi no meu caderninho de emergência, embora prefira sempre o computador, mas estava na praia, distante de tudo, com muito tempo livre para ficar pensando na vida. Sair assim do cotidiano nos faz ver tudo diferente, ver a nossa vida como se estivessemos fora dela. O mar, o ócio, a paz, meu causaram sensações que tentei captar em meus versos. Os poemas não têm nada de mais, nada de impressionanete, mas acho que só assim poderiam condizer com os sentimentos de paz que o mar traz numas férias muito almejadas.

Espero que a leitura seja agradável, assim como foi o escrever.

Comentem o quanto puderem. Mesmo que seja apenas aquele que você mais gostou ou mais odiou.

Praia

Ir para um lugar de mar

                                                                                longe da vida

e aqui

vivendo sem ela

                                                  olhá-la

                                                                                simples, solúvel, fácil


como se fosse doutrem...





O sol deixa tudo mais claro.




Tarde lívida

Ah, rede, sol, árvores

casa na praia


Me sinto puro

            TRIDESTILADO

vodka transparente como água


Paz, para mim, é apenas descanso estratégico

e aguardar o próximo trem de ferro

para saltar novamente sempre

no meio

do seio

do coração

da guerra.



Ossos urbe

Confuso!

            !completamente confuso


a barraca fervendo calores

mil pernilongos a sangue-sugar-me


Roubaram-me a cidade

  • meu acolhedor caosmetropolitano -

incelulável,

deseletrônico,

desconectado...


se sinto-me umcomAnatureza,

também sinto-me inabitando o mundo!


Eu vivo de beber o sangue da cidade

quando é tinto

ou avinagrado


Dai-me por favor

            o asfalto indiferente

                        das ruas de asfalto



Telegrama para James Even

James Even,

escrevo-lhe esse telegrama-poema que não enviarei

(peço um perdão estético, não sei imitar a forma dos telegramas PT


Estou no litoral paulista e você

muito mais ousado

num SMS me provoca

“Estou no MAM da Bahia”

PQP, seu grande safado!


Mas não deixo por menos

Numa lenta rede de sombra fresca leio David McReynolds

enquanto faço desenho com os círculos de água que a lata de cerveja deixa no chão

(caderno de poemas ao lado, nunca se sabe)


Ansioso pelos nossos encontros anarco-psicoanaliticos

Tenho histórias incríveis e idéias efervescentes

O mundo mais uma vez é nosso!


Espero que esse telegrama-míssil-poema-impossível lhe alcance em cheio

neste exato momento

e gravado no papel pele

brade na totalidade do tempo:

O mundo mais uma vez é nosso!



O urubu

Porra! Veja só aquele urubu no alto da imensa torre de telefonia!


Ele está lá parado

e eu jamais saberei o que se passa naquela cabeça ínfima

que observo aqui do chão


Parece que ele está lá, curtindo

apenas curtindo a vida

mesmo nesse tórrido sol


Como os crentes de terno preto nas manhãs de domingo


Amigos em vôos circulares se aproximam e dizem:

--Vamos lá, garoto, vamos procurar deliciosas carniças!


Mas ele permanece lá, coça embaixo da asa, olha pra baixo, volta a cabeça e diz:

--Nááá...


Ele não quer esbanjar, não quer acumular

está plenamente satisfeito em sua torre artificial


Um grande saca, me olhando lá de cima

e me provoca:

“Estou curtindo cada pedaço pequeno e normal da vida

com meu primitivismo institivo,

e você pequeno humano?”


Eu aceno positivo aqui debaixo:

“Estou logo atrás amigo,

                            logo atrás...”



Poseidon (ou Deus sempre nasce de uma loucura)

O mar

grandioso, ferrenho, infinito

Minha humanidade balanceia

tão pequeno

Quase caio numa fraqueza teísta

(um segundo rápido)

Maior sou eu que diminuo o mar em uma palavra

e coloco nessa página


Salto no mar e o abraço por dentro numa ânsia panteista

Meu pai, meu irmão, meu eu?

Jamais!

Um descuido e ele me mata

sem derramar uma lágrima salgada


Qual é o segredo do mar?

Como Odisseu grito enraivecido



O mar calado marulha


Não há segredo, o mar é o mar

A prova da não-existência de Deus?

Calem a loucura da boca dos profetas

e ouçam a santidade do silêncio


ele diz: não há segredo... não há segredo...



Sponsors

Sono Neturno

Inerte à vida

os sonhos me rasgam

a pele

o couro

a cara


o vento

o mar

o sol salgado


corruptos, camarões, peixes-espadas passam

            levando a crucialidade da vida


Eu sem meus problemas

sobra alga para os peixes?



Seu último poema (ou simplesmente Despedida)

Sultão,

areias, mil e uma noites

camelos endoidecidos debandam em seu corpo nu

(Esse é meu último poema pra ti,

minha beleza árabe)


Pele tostada, lábios finos...

Macias almofadas de descanso...

tâmaras, damasco, teu beijo


Uma lâmpada, um gênio

                (ao fundo a música da serpente)


Três desejos meu amo

1- você...

2- você...

3- mais 3 desejos...

        4- sua boca

        5- sua orelha

        6- mais 4 desejos

                    7- sua saliva

                    8- sua buceta

                    9- seu cu

                    10- mais 3 desejos

                                11- sua alma para mim

                                12- minha alma de volta

                                13- nunca mais te ver



Canto de Natal

Desde o Natal

, por você,

só cresceu meu desencanto